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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Intervalo infindo

Encima daquela mesa havia um prato de sopa.
Dentro dessa gaveta tinham cartas rabiscadas.
Sobre o sofá, muitas roupas repousavam, esperando para serem passadas.
Sobre suas pálpebras muitas noites esperavam para repousar também.

A sopa esfriou, ela demorou demais a chegar naquele dia.
As cartas nunca foram remetidas.
O sofá esvaziou-se repentinamente,
Já os olhos?
Hoje descansam sem pausas.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

fim

Quando na escola, estudava o ciclo.
Ciclo da vida.

Nascer
Crescer
Reproduzir
Envelhecer
Morrer

A morte faz parte do ciclo da vida.
A vida depende da morte para continuar existindo.

O fim de um é o começo de outro.

O fim pode ser até um recomeço.

Um fim bem feito traz uma possibilidade de um ótimo novo começo.

Capricho nos finais.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vivo morrendo.


(foto: São Paulo por um amigo meu).


Ouço, escuto, sinto o girar do ponteiro do incessante relógio.
Ouço, escuto, não sinto o vibrar da máquina centrifugando a roupa.
Ouço, não escuto, sinto o morno som cansado do urbano,
Este que me envolve de dia,
De tarde,
Na madrugada,
Na noite de terça-feira.
Morno porque não me refresca.
Morno pois não me aquece.
Cansado de exaustivo labor eternificado pelo sistema,
Cansado porque já não me encanta.
Urbano pois o verde já desvaneceu,
Urbano de tanto parir concreto estéril.
Vivo morrendo neste Morno, Cansado e Urbano universo.