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quarta-feira, 3 de abril de 2013

FisiologicaMENTE

Se eu abrisse o coração, os dois ventrículos e os dois átrios,
tudo!

Se remexesse em tudo aqui dentro, toda a circulação, a troca gasosa, a nutrição dos tecidos,
a retirada de metabólitos

Células, organelas, matrizes,

O que sobraria da matéria na busca do amor abstrato?!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

No Portão

Eles já se olharam com aquele olhar de quem sabe o que o outro quer dizer a alguns minutos, ela finge que não sabe o que os olhos dele querem dizer e que não sabe que já é tarde. Ele tem que pegar o ônibus, ir ao centro da cidade, ir para casa.

Ela sente que o domingo acabou e em algumas horas terá de levantar da cama que ainda nem deitou e correr em mais um dia de trabalho.

Ele procura o olhar dela novamente e como não consegue dissuadi-la recorre ao famoso cutucão no braço, ela olha e faz uma careta para registrar sua reprovação, não a ele, nem ao relógio digital do celular que acabou de consultar. Ela reprova a mania deste abstrato inimigo que não lhe dá uma mínima trégua, o tempo.

Ela se levanta e dá aquele sorriso sociável pros pais e ele começa a se despedir deles e ambos descem as escadas.

Eles se olham, agora é aquele olhar do quais muitas estações já presenciaram ao ver os soldados que embarcavam com esperanças vãs de retornarem aos seus lares de vilarejos inocentes após a guerra.

Eles se amam com aquele olhar que já é um velho amigo dos namorados, destes namorados.

Eles se amam com o olhar.

Ela o ama mais quando ele se vai? Ela o ama mais quando está ao seu lado? Ela o ama mais quando está na intersecção da ausência e da presença?

Impossível dizer!

Ele deixa de olha-la para fechar seus olhos simultaneamente enquanto abre sua boca que a beija com desejo de devorá-la.

Uma despedida leva minutos, mas as sensações são intensas como a eternidade.

Este é o momento no qual o inimigo abstrato do tempo perde mais uma vez. Então ele se vai, ela o olha mais uma vez através do véu do portão e depois do metódico assobio de despedida, suspira e vai ao encontro do seu ritual de preparação do sono turbulento que antecede a segunda-feira.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quando setembro me trouxer

Quando setembro me trouxer um ano inteiro,
quero deitar no teu colo,
quero te embalar em meus braços,
te ouvir dizer aquilo tudo de novo,
só com um olhar singelo, um sorriso.

Seu sorriso de sempre que nunca me esqueço.

Quando setembro vier, falo pra ele te dar uma carona, que a pé cansa,
e de carro paga estacionamento.

Quando setembro brotar, só quero saber qual é a hora de não saber mais do sol, nem do relógio.

Vamos dormir tarde, sem precisar acordar...sem precisar de nada além de nós.

Setembro me traz dias pra viver e um ano pra recordar outra vez.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Quando

A bagagem pesa.
A cabeça lateja.
A torneira pinga.
A bebedeira é reza.
O amigo esbraveja.
A menina é linda.

A vida recomeça.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Jardim versado

Botão de verso, que um dia vira flor
Botão de amor, que um dia já foi verso
Para o que hoje é sonho, botão de flor
Para amanhã perfumar o lar, botão de amor
Porque mesmo antes de te conhecer,
Nas rimas repetidas dos poetas sem fama
A Flor sempre foi o par perfeito da rima do Amor
Flor de Amor

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Concluindo

Acontecer é coisa de sorte,
manter é coisa de gente forte!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Oco

Um dia alguém me disse que quando está longe do seu amor "tá com um oco".

Não é vazio de fome.
Não é vazio de vontade.
Não é vazio de enxergar.
Não é falta do que se toque.

O oco que oquece o que está em oquidão é um oco que por aí chamam de solidão.

O problema dessa solidão é que ela é uma senhorita desavergonhada,
ela sempre vem acompanhada.
Dona Solidão e a Senhora Saudade,
no peito uma mora,
no estômago a outra arde!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Hora

Minha hora chegou.
Você sabe que odeio esperar,
Não usarei isso contra os outros.
Quem não gosta de esperar é forçado pela natureza a chegar na hora.

Pena ter chegado na hora errada.

Mas, fica tranquila, eu sei lavar louça,
Limpo também meus trapos,
Não só os que carrego naquela mochila.

Ah, o recado que deixei na geladeira,
Não leia,
Se já leu, ignore!
Escrevi num momento de raiva,
Você sabe...
A maioria das coisas que falamos em momentos de raiva são exagerados e inflamados.


Não estou te deixando, assumamos, você na verdade nunca esteve nesta casa.
Nunca esteve neste sofá,
Nesta janela.

Acho que só tem um lugar que você esteve, mesmo sem saber,
E pior,
Sem querer...

Foi no meu ser.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Simplesmente assim

Quando olho, não enxergo, imagino, e então o sonho começa.

Quando sinto, não entendo, simplesmente acho, e aí já me perdi de novo.

Quando tenho, acho que não tenho, me convenço que é meu, e me mostra que estou certa quando não penso errado.

Quando estou confusa, escrevo tudo, não leio quase nada, talvez bagunçando aqui é que organizo na cabeça, e então...

Agora faz sentido.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Iceberg

Te vejo a primeira vez,
Iceberg.
Você é gelada,
Iceberg.
Você não se esconde,
Iceberg.
O mundo oculta suas qualidades e bizarrisses,
Iceberg.
Eu quero te descobrir, conquistar,chamar pra tomar um suco,
Iceberg.
Mas, quando te vejo pela primera vez no dia, de novo,
Iceberg.
Eu só consigo ficar parado, como se tivesse congelado, por ti ICEBERG.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vamos?

Você me olha com olhos grandes,
Infinitos,
Castanhos límpidos como um campo de trigo doirado.

Vamos, eles me dizem.
Quando sorri é um sussurro.
Este castanho envolvente.

Deixa eu cuidar-te, eles cantam.
E quando o sol os cegam...
Um olhar multicolorido antes de uma lágrima fugidia,
Me diz, cuida de mim também.

E quando as palavras te fogem,
Me fogem,
Desaparecem todos do mundo,
Nossos olhos conversam.
Castanha prosa poética.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

enxuto

A algum tempo atraz eu não me imagina com o peito assim tão enxuto.

Todas as lágrimas que pareciam ser minha única companhia.
Repulsivamente me odiava por te amar assim.
Assim não, daquele modo.

Aquele jeito que foi tão doído, doido e doloridamente experimentado.
Não queria a minha companhia.

Hoje meu peito cicatrizado parece querer me enganar e se entregar a um novo alguém.
Parece estar querendo um novo banho de sal lacrimal.
Parece que já esqueceu.

Eu não esqueci.
Eu não deixo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Possibilidades

Ouvir uma guitarra liberta o corpo,
Um piano a mente.

Tomar uma chuva te despe do orgulho,
Tomar sol te veste de preguiça.

Refrigerante te deixa flácida,
Álcool deixa o chão flácido.

Sonhar te deixa leve,
Fazer,hum, mais ainda!

Maquiagem te deixa linda,
Tua cara de sono, ah! Uma ilusão de luz.

A madrugada fica cheia contigo,
A tarde longa sem teu aroma de fruta.

Deixar-me sem ti, criança, é um mundo de possibilidades,
Menos a que quero.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

No Mêtro a gente "conspira"

"Queria escrever, escrever, escrever, escrever e depois vomitar as últimas palavras, até lavar a minha mente, então, poderia começar tudo de novo."


"Enquanto não conseguir me despir de todos os pensamentos que me fazem mergulhar numa atmosfera que é tudo tão teu...inútil será pra minha existência efêmera e débil lutar pra'squecer-te e viver ignorando-me pensando em ti."


"Às vezes parece-me que todos são espelhos d'água somente.
Se me entristeço, todos parecem aumentar meu penar.
Se amo, parece o mundo estar todo corado e sorridente!
Se entedio-me aborrece-se todo o meu redor.
Se todos são reflexos, explica-se o fato de cada um lembra-me um pedacinho de ti."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Poesia alheia

Devaneio - Jorge Vercillo


Mergulhei no mar e não dava pé
Me apaixonei mas não sei por quem
Sonho com alguém
Que você não é


Eu me entreguei demais
Eu imaginei demais e o silêncio fala mais que a traição
Foi um devaneio meu um veraneio seu e um outono inteiro em minhas mãos


Vi um sol nascer pelos olhos seus me deixei levar
Eu nao refleti que era a luz dos meus refletida em ti
Eu me entreguei demais
Eu imaginei demai se o silêncio fala mais que a traição
Foi um devaneio meu um veraneio seu e um outono inteiro em minhas mãos

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Borboleta


Tinha um sonho,
Nela uma borboleta voa,
Voava.
Pousa numa orquídea roxa.
Suas asas azuis e seu movimento incolor,
Suas asas azuis e em minha orquídea amor.
Pena que era um sonho,
E como a borboleta que voa,
Você também, Voou.