Depois que a calçada não existe mais,
que nuvens massagearam seus pés,
que lágrimas lubrificaram os olhos,
após abraços novos e velhos serem confundidos.
A viagem continua.
Você continua.
Tudo faz mais sentido agora que deixamos de procurar o sentido.
Querer fazer tudo de novo,
querendo não dar mais tchaus e nem até logos.
Só mais um beijo, ok?!
Fique mais 5 minutos.
A difícil arte de viver e deixar-se acontecer,
nos outros,
deixar os outros acontecerem em você,
e continuar andando depois de criar raízes.
Objeto cilíndrico, em cujo fundo há fragmentos móveis de vidro colorido, os quais, ao refletirem-se sobre um jogo de espelhos dispostos longitudinalmente, produzem um sem-número de combinações de imagens.
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terça-feira, 11 de novembro de 2014
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Íntimo - segundo dia
Uma presença incessante e insistente!
A ausência.
A saudade. Talvez devesse munir-te de poesia e cultivar orquídeas.
Talvez uma outra cidade, um outro dia.
Hoje tu queres afogar-te nas lembranças, uma embriagues contida e santa.
Apenas tudo aquilo que ainda está aqui. Só dentro de ti.
Todos se vão um dia.
Todos se foram ontem mesmo.
Difícil é ser o mensageiro que fica para contar as más-novas aos desavisados.
E cada nova gota de vinho, cada nova palavra proferida vezes repetidas, é mais
uma lembrança que queres desesperadamente tirar do teu peito.
Do teu travesseiro molhado.
Deste tapete imundo em que tens habitado a noite, remoendo, revivendo, retorcendo-te.
Revira-te novamente ao avesso, e com as vísceras à mostra, arfe melhor o ar aos pulmões.
Respire, vista-te. Mais um dia de trabalho espera-te lá fora, em duas horas deves tornar-te de novo aquela uma que um dia chamas-te de "eu". Hoje mal conheces.
No fundo do teu quarto, no fundo da tua intimidade. Um túmulo aberto e do avesso.
A ausência.
A saudade. Talvez devesse munir-te de poesia e cultivar orquídeas.
Talvez uma outra cidade, um outro dia.
Hoje tu queres afogar-te nas lembranças, uma embriagues contida e santa.
Apenas tudo aquilo que ainda está aqui. Só dentro de ti.
Todos se vão um dia.
Todos se foram ontem mesmo.
Difícil é ser o mensageiro que fica para contar as más-novas aos desavisados.
E cada nova gota de vinho, cada nova palavra proferida vezes repetidas, é mais
uma lembrança que queres desesperadamente tirar do teu peito.
Do teu travesseiro molhado.
Deste tapete imundo em que tens habitado a noite, remoendo, revivendo, retorcendo-te.
Revira-te novamente ao avesso, e com as vísceras à mostra, arfe melhor o ar aos pulmões.
Respire, vista-te. Mais um dia de trabalho espera-te lá fora, em duas horas deves tornar-te de novo aquela uma que um dia chamas-te de "eu". Hoje mal conheces.
No fundo do teu quarto, no fundo da tua intimidade. Um túmulo aberto e do avesso.
sábado, 23 de junho de 2012
Íntimo - Primeiro dia
Daí um dia qualquer, com cheiro de tapioca com coco, você acorda e após o café, regado sem açúcar - que é pra combinar com o seu humor mais ou menos, se dá conta de como algo está faltando.
Vai até a varanda, repara nas plantas, não é falta de água porque choveu ontem, nem adubo ou sol. É talvez seja sol, que tá fraco, mas pelo menos tem uma claridadezinha.
Vai até a lavanderia, tira a roupa do varal, põe os lençóis na máquina, passa pela sala, tira os jornais do chão. No banheiro limpa a pia suja de pasta de dente e toma um banho. Ao passar pelo corredor tira o tênis que está no caminho e vai pro quarto se trocar. Perfuma-se, veste-se, e ao olhar-se no espelho imagina como estará daqui uns anos, mais velha, mais madura...não, pensa: "Mais radiante".
Enfim, pega a bolsa e sai para a vida de uma professora-pesquisadora ocupada.
Pro que o que se faz em casa ninguém fica sabendo.
Casa, o túmulo de todas as intimidades.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Uma tarde de domingo
Uma tarde de domingo
Entre o adeus da noite
E o sonolismo da manhã ressacada
Uma tarde de presente
Para provar o tédio ocioso
Para não lembrar do enfado de segunda
Uma tarde de domingo
Onde o sono é posto em dia
Onde uma página é lida e esquecida
Uma tarde em presente
Na qual se melancolia com o passado
Na qual sonhasse com o por vir
Com a próxima
Tarde de domingo
Entre o adeus da noite
E o sonolismo da manhã ressacada
Uma tarde de presente
Para provar o tédio ocioso
Para não lembrar do enfado de segunda
Uma tarde de domingo
Onde o sono é posto em dia
Onde uma página é lida e esquecida
Uma tarde em presente
Na qual se melancolia com o passado
Na qual sonhasse com o por vir
Com a próxima
Tarde de domingo
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Hora
Minha hora chegou.
Você sabe que odeio esperar,
Não usarei isso contra os outros.
Quem não gosta de esperar é forçado pela natureza a chegar na hora.
Pena ter chegado na hora errada.
Mas, fica tranquila, eu sei lavar louça,
Limpo também meus trapos,
Não só os que carrego naquela mochila.
Ah, o recado que deixei na geladeira,
Não leia,
Se já leu, ignore!
Escrevi num momento de raiva,
Você sabe...
A maioria das coisas que falamos em momentos de raiva são exagerados e inflamados.
Não estou te deixando, assumamos, você na verdade nunca esteve nesta casa.
Nunca esteve neste sofá,
Nesta janela.
Acho que só tem um lugar que você esteve, mesmo sem saber,
E pior,
Sem querer...
Foi no meu ser.
Você sabe que odeio esperar,
Não usarei isso contra os outros.
Quem não gosta de esperar é forçado pela natureza a chegar na hora.
Pena ter chegado na hora errada.
Mas, fica tranquila, eu sei lavar louça,
Limpo também meus trapos,
Não só os que carrego naquela mochila.
Ah, o recado que deixei na geladeira,
Não leia,
Se já leu, ignore!
Escrevi num momento de raiva,
Você sabe...
A maioria das coisas que falamos em momentos de raiva são exagerados e inflamados.
Não estou te deixando, assumamos, você na verdade nunca esteve nesta casa.
Nunca esteve neste sofá,
Nesta janela.
Acho que só tem um lugar que você esteve, mesmo sem saber,
E pior,
Sem querer...
Foi no meu ser.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
fim
Quando na escola, estudava o ciclo.
Ciclo da vida.
Nascer
Crescer
Reproduzir
Envelhecer
Morrer
A morte faz parte do ciclo da vida.
A vida depende da morte para continuar existindo.
O fim de um é o começo de outro.
O fim pode ser até um recomeço.
Um fim bem feito traz uma possibilidade de um ótimo novo começo.
Capricho nos finais.
Ciclo da vida.
Nascer
Crescer
Reproduzir
Envelhecer
Morrer
A morte faz parte do ciclo da vida.
A vida depende da morte para continuar existindo.
O fim de um é o começo de outro.
O fim pode ser até um recomeço.
Um fim bem feito traz uma possibilidade de um ótimo novo começo.
Capricho nos finais.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Veja bem
Não musique meus poemas,
Não diga que o sol só nasceu hoje para iluminar minhas flores!
Não sou o tudo,
Nem tenho o nada.
Sou só o que não consegues ver,
Aquilo que você rejeitou acreditar.
Não iluda seus pensamentos egoístas de ter-me em algum cômodo acomodada ao teu lado.
Não vivo e nem tentarei viver contigo sem mim!
Necessito apenas de oxigênio,
E você de abrir os olhos!
Não diga que o sol só nasceu hoje para iluminar minhas flores!
Não sou o tudo,
Nem tenho o nada.
Sou só o que não consegues ver,
Aquilo que você rejeitou acreditar.
Não iluda seus pensamentos egoístas de ter-me em algum cômodo acomodada ao teu lado.
Não vivo e nem tentarei viver contigo sem mim!
Necessito apenas de oxigênio,
E você de abrir os olhos!
sábado, 5 de setembro de 2009
Movimento
Vai ao longe o teu vento de outrora.
Entrou-te como um redemoinho,
Saiu-te menos que uma brisa!
Não despega as folhas mortas,
Nem dá vida aos moinhos.
Será para sempre esta estagnação?
O rio não flui,
E assim cessa a vida.
Entrou-te como um redemoinho,
Saiu-te menos que uma brisa!
Não despega as folhas mortas,
Nem dá vida aos moinhos.
Será para sempre esta estagnação?
O rio não flui,
E assim cessa a vida.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Caixinha de Fósforo
Minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
Não que seja cheia de grandes acontecimentos,
Ou de inúmeras aventuras.
Mas,definitivamente, minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
Não sou alguém muito importante, daqueles que são indispensáveis para o mundo,
Mesmo assim, minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
Não caberia lá dentro todo o amor que me foi dispensado por minha mãe.
Não acomodaria lá dentro o suor rolado da testa de meu pai todos esses anos.
Não suportaria todos os sorrisos a se abriram a mim e os amigos que comigo choraram.
Nela não caberia as aulas assistidas, as músicas entoadas, as danças embaladas, os sonhos vividos, as saudades lastimadas!!!
Não posso me calar para tudo que há aqui dentro,
Por isso minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
Não que seja cheia de grandes acontecimentos,
Ou de inúmeras aventuras.
Mas,definitivamente, minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
Não sou alguém muito importante, daqueles que são indispensáveis para o mundo,
Mesmo assim, minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
Não caberia lá dentro todo o amor que me foi dispensado por minha mãe.
Não acomodaria lá dentro o suor rolado da testa de meu pai todos esses anos.
Não suportaria todos os sorrisos a se abriram a mim e os amigos que comigo choraram.
Nela não caberia as aulas assistidas, as músicas entoadas, as danças embaladas, os sonhos vividos, as saudades lastimadas!!!
Não posso me calar para tudo que há aqui dentro,
Por isso minha vida não cabe numa caixinha de fósforo.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Vivo morrendo.

(foto: São Paulo por um amigo meu).
Ouço, escuto, sinto o girar do ponteiro do incessante relógio.
Ouço, escuto, não sinto o vibrar da máquina centrifugando a roupa.
Ouço, não escuto, sinto o morno som cansado do urbano,
Este que me envolve de dia,
De tarde,
Na madrugada,
Na noite de terça-feira.
Morno porque não me refresca.
Morno pois não me aquece.
Cansado de exaustivo labor eternificado pelo sistema,
Cansado porque já não me encanta.
Urbano pois o verde já desvaneceu,
Urbano de tanto parir concreto estéril.
Vivo morrendo neste Morno, Cansado e Urbano universo.
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