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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

No Portão

Eles já se olharam com aquele olhar de quem sabe o que o outro quer dizer a alguns minutos, ela finge que não sabe o que os olhos dele querem dizer e que não sabe que já é tarde. Ele tem que pegar o ônibus, ir ao centro da cidade, ir para casa.

Ela sente que o domingo acabou e em algumas horas terá de levantar da cama que ainda nem deitou e correr em mais um dia de trabalho.

Ele procura o olhar dela novamente e como não consegue dissuadi-la recorre ao famoso cutucão no braço, ela olha e faz uma careta para registrar sua reprovação, não a ele, nem ao relógio digital do celular que acabou de consultar. Ela reprova a mania deste abstrato inimigo que não lhe dá uma mínima trégua, o tempo.

Ela se levanta e dá aquele sorriso sociável pros pais e ele começa a se despedir deles e ambos descem as escadas.

Eles se olham, agora é aquele olhar do quais muitas estações já presenciaram ao ver os soldados que embarcavam com esperanças vãs de retornarem aos seus lares de vilarejos inocentes após a guerra.

Eles se amam com aquele olhar que já é um velho amigo dos namorados, destes namorados.

Eles se amam com o olhar.

Ela o ama mais quando ele se vai? Ela o ama mais quando está ao seu lado? Ela o ama mais quando está na intersecção da ausência e da presença?

Impossível dizer!

Ele deixa de olha-la para fechar seus olhos simultaneamente enquanto abre sua boca que a beija com desejo de devorá-la.

Uma despedida leva minutos, mas as sensações são intensas como a eternidade.

Este é o momento no qual o inimigo abstrato do tempo perde mais uma vez. Então ele se vai, ela o olha mais uma vez através do véu do portão e depois do metódico assobio de despedida, suspira e vai ao encontro do seu ritual de preparação do sono turbulento que antecede a segunda-feira.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Oco

Um dia alguém me disse que quando está longe do seu amor "tá com um oco".

Não é vazio de fome.
Não é vazio de vontade.
Não é vazio de enxergar.
Não é falta do que se toque.

O oco que oquece o que está em oquidão é um oco que por aí chamam de solidão.

O problema dessa solidão é que ela é uma senhorita desavergonhada,
ela sempre vem acompanhada.
Dona Solidão e a Senhora Saudade,
no peito uma mora,
no estômago a outra arde!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Saudosa noite

Saudade não é apenas uma ausência, é uma presença angustiante de algo que não vejo mas me afligue o peito constantemente.
Aquele pensamento que não estou pensando, eu é que o estou exististindo.
Aquela lágrima que não é minha, por isso foge pra fora, na ânsia de encontrar-se com o amado que é meu.
É um sonho que me deixa deslumbra-lo só pra meu dia ser uma espera dum novo encontro que não ocorrerá.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

No Mêtro a gente "conspira"

"Queria escrever, escrever, escrever, escrever e depois vomitar as últimas palavras, até lavar a minha mente, então, poderia começar tudo de novo."


"Enquanto não conseguir me despir de todos os pensamentos que me fazem mergulhar numa atmosfera que é tudo tão teu...inútil será pra minha existência efêmera e débil lutar pra'squecer-te e viver ignorando-me pensando em ti."


"Às vezes parece-me que todos são espelhos d'água somente.
Se me entristeço, todos parecem aumentar meu penar.
Se amo, parece o mundo estar todo corado e sorridente!
Se entedio-me aborrece-se todo o meu redor.
Se todos são reflexos, explica-se o fato de cada um lembra-me um pedacinho de ti."

sábado, 30 de janeiro de 2010

Canção

Sabe, é difícil demais escrever algo original quando tudo que me vem a mente quando penso em ti é música. Música de Chico, de Calcanhoto...Subo até o Monte da Marisa, chupo uma bala com o Baleiro e vejo a Gal de Costas. E na Mata da Vanessa, assisto a uma briga de Titãs entre o Leãozinho do Veloso e a Tigresa da Bethânia, sossegado mesmo só o Camelo. Tanta, mas tanta loucura dentro de minha mente povoada e populosa que às vezes nem no tranco.




Ainda não acredito que o Fagner queria ser um peixe, e você me diz que queria ser um pássaro de praia.


Eu só queria que todos se calassem pra te ouvir cantando em meu ouvido de novo!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Tempo

Ontem me disseram que o Tempo não existe.
Verdade.
Quem existe sou eu.
A contagem de meus instantes de existência forma o que abstrativamente chamo de Tempo.
O Tempo em si é uma questão que deixo aos físicos, filhos de Newton.
Eu, uma simples filha de Eva, desgosto de definições.
Gosto de férias, tudo é: hoje, ontem e amanhã...horas? Depende...já almocei?
Não preciso de calendário, nem de agenda, cabe tudo nas minhas lembranças e nas minhas risadas!
Então se é o tempo que nos separa...se nos vemos ontem e não podemos nos ver hoje, relaxo, porque amanhã sempre chega!